segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O elo mais fraco

Após alguns dias sem escrever nas páginas invisíveis do seu caderno, dias em que fechar os olhos e sonhar acordado, com aquele mundo que era dele sem o ser, funcionava como o seu refúgio contra os problemas e a tristeza que pareciam não dar tréguas ou cessar, eis que começou um novo dia, um dia que fazia, devido ao clima, “pendant” com o seu estado de espírito, feio e nublado… Chovia… Chovia lá fora como dentro de si!
Tinha sonhado novamente com ela. O sonho, que já se tornava recorrente, agora não acontecia apenas enquanto estava acordado e fechava os olhos, mas também quando se entregava ao cansaço e se deixava adormecer, com esperança que nesse momento o seu coração se desligasse e parasse de sentir. Mas este teimava em bater, em sentir, em trazer ao seu cérebro adormecido todas as lembranças e desejos, fazendo-o, também enquanto dormia, sonhar!
O sonho que antes era uma escapatória, o acordar num lugar diferente, ver ao fundo, pela janela, uma torre de ferro que se ergue como emblema de um lugar que ele não sabe qual é, o ser transportado para os braços enamorados de alguém que ele consegue identificar até de olhos fechados, pelo cheiro, pelo toque, pelo sabor, tudo isso, apesar de bom, parecia-lhe cada vez mais irreal, mais distante. E, ao acordar, vinha a certeza dessas suspeitas. O dia que o esperava era igual a tantos outros, sem terra distante, sem torre de metal, sem nada… Sem, reforçando a tristeza que esta realidade trazia na bagagem, os tão desejados braços enamorados.
Os últimos dias não tinham augurado nada de bom. Na véspera, quando passeava pela rua em obras e, entre a alegria do barulho de uma criança e a confusa tristeza silenciosa que se havia instalado dentro de si, pensou que, tal como aquela rua, também ele estava desfeito, partido, sujo, feio… e, nesse momento, desejou que também, tal como a rua que pisava naquele momento, viesse a ficar bonito, mais bonito do que antes, mais forte, mais arranjado, mais alegre. Desejou… Desejou… Desejou com muita força, mas… a alegria não chegou!
Lembrou-se de palavras que lhe haviam sido ditas e repetidas em dias anteriores, palavras sobre medos, sobre receios, sobre faltas de certezas e, sem sequer notar, transpô-las para a sua pessoa. Pensou, reflectiu e sentiu medo, sentiu receio, sentiu dúvidas, mas não os mesmos sentimentos sobre os quais tinha ouvido falar dias antes. Sentiu outros, mais seus. Olhou para trás e pensou como havia imaginado a sua vida? Se aquilo que via agora era aquilo que tinha esperado ver? Concluiu que não. Não se imaginava, com quase 26 anos, a viver na casa dos pais, sem emprego fixo, ainda a terminar os estudos e agora, inclusivamente, sem uma relação! E isso assustava-o.
Lembrou-se do dia anterior… E que dia! Nada podia ter corrido pior, em apenas uma atitude, perdera uma amiga e uma confidente. Já não se lembrava de quando tinha tido um dia bom, efectivamente bom, sem nada que o pudesse estragar, sem um momento, um pensamento, uma atitude, algo que o estragasse de alguma forma. Tinha saudades, muitas saudades, saudades dela, saudades de um “nós” que, só na sua cabeça, teimava em não desaparecer, saudades dos dias vividos em pleno. Sentia-se triste, sozinho! Sempre tivera imensos amigos e nesta fase, tal como em outras menos boas pelas quais havia passado, tinha conseguido mais uma confirmação de que estes eram os melhores do mundo, mas, ainda assim, apesar de toda a sua presença e de todo o seu apoio, sentia-se só! Entendia agora o que era sentir-se sozinho quando rodeado de uma multidão.
Agora, enquanto escrevia mais uma página invisível, mais um passo silencioso neste capítulo da sua vida, sentia-se triste… como poderia sentir-se de outra forma? Sentia-se mudo e engasgado com as suas próprias palavras! Triste e abandonado, não por todos, mas por ela! Ela que havia dito que nunca o abandonaria. Sentia que, da vida dela, ele era o elo mais fraco, a parte descartável, aquilo que poderia ser jogado fora. E, com este pensamento na cabeça escreveu mais um pedaço da sua vida, um desabafo mudo, uma história apagada que, ainda que visível aos olhos de todo o mundo, ninguém iria ler.

Dedicatória

The Streets - Dry your eyes mate

domingo, 3 de agosto de 2008

Um mês depois

Passara um mês desde a última vez que ele havia escrito algo nas páginas invisíveis do seu caderno. Muito se havia passado, muita água havia movido moinhos e, ainda assim, o sentimento era o mesmo... Tristeza... Ele estava triste! Muito triste e... um tanto confuso.
As perguntas que já por várias vezes o haviam atraiçoado, em conspiração com as memórias, suas já antigas aliadas, invadiam-lhe a mente e não o deixavam descansar. Assim, e procurando fugir de si mesmo, fechou os olhos e transportou-se para outro lugar, outro tempo, até quem sabe, outra vida:
Ao acordar numa cama que não era a sua, olhou para o lado, como que a tentar entender onde estava, e viu-a! Deitada ao seu lado estava ela, cabelos escuros a taparem-lhe metade do rosto, do qual apenas se podia vislumbrar um pedaço da bochecha e um canto do olho, rasgado, charmoso, belo como todo o corpo que se deixava adivinhar por baixo da tshirt que de tão grande que era fazia aquele ser parecer ainda mais frágil… daquela tshirt que ele tão bem conhecia por ser a sua!
Tocou-a de leve na face, desviando-lhe os cabelos dos lábios, dos quais ele tão bem conhecia o sabor, e que, sempre que os via, custava-lhe a resistir beijá-los e, através desse beijo, sentir que o mundo podia fazer sentido! Abraçou-a em seguida e puxou-a para si. Encostou-lhe os lábios no ouvido e sussurrou aquilo que apenas eles conseguiram ouvir... palavras de cumplicidade sussurradas ao ouvido são entendidas apenas por a quem estas se dirigem!
Beijou-a! Beijou-a vezes sem conta, e ao sentir que ela o beijava de volta, sentiu-se feliz, sentiu que não queria que aquele momento acabasse, sentiu-se único.
Neste momento, e com um sorriso nos lábios, abriu os olhos novamente para a ver e, ao invés disso, viu a realidade que o esperava, essa que ele não queria ver, essa que, por muito que ele se escondesse, teimava em encontrá-lo. Sentia que tinha de fugir, que tinha de ir para longe. Sentiu medo, sentiu saudades e sentiu que não o queria fazer sozinho. Olhou para trás e viu-se injustiçado pela vida... Amado ou mal amado? E, sem dar conta da sua chegada, lá vinham novamente as dúvidas, as memórias, os receios e a única certeza que ele podia ter naquele momento... que tinha amor dento de si!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Triste

do Lat. triste

adj. 2 gén.,
que sente mágoa ou aflição;
que não tem alegria;
melancólico;
infeliz;
mofino;
desgostoso;
lastimoso;
severo;
que inspira tristeza;
sombrio;
lúgubre;
deprimido;
insignificante;
s. 2 gén.,
pessoa infeliz.

Haverá melhor forma de me descrever?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

De asas caídas

E é na altura em que as asas de um anjo já cansado se fecham num acto de fraqueza que todas as dúvidas o invadem e que, apesar do mar de nuvens que aguardam a sua queda com vãs promessas de o amparar, vê questionada a sua fé e a sua força para abrir novamente as asas e planar em segurança. É neste momento que o chão treme, as estrelas caem do céu e o mundo, ainda que permanecendo intacto, parece desabar sob os pés alheios que caminham lado a lado no seu colo, afastando-os do seu rumo.
Mas, quando o anjo decide reagir e abre as suas asas, o ar, que antes apenas acompanhava a sua queda, é agitado e, no seu frenético movimento, dissipa as dúvidas, acalma o mundo e faz com que, não só os pés se voltem a encontrar e a caminhar lado a lado, mas também que os lábios que existem nos corpos que estes suportam se envolvam num momento de cumplicidade que apenas as almas enamoradas dos amantes seriam capazes de descrever.
Nesse momento o mundo sorri e tudo faz sentido de novo.
Por isto, e por tudo o que de bom existe nas asas de um anjo, rezo por uma réstia de força nas já cansadas do teu... Aquelas que abalaram o meu mundo!

sábado, 14 de junho de 2008

Páginas brancas de um livro

Cada passo que dou é um passo em falso!
Passeio por lugares onde antes os nossos passos caminharam lado a lado e vejo corações a cada passo que dou... desenhos de cravos de pernas para o ar, num caminho que ambos pisámos.
Sinto que paraste e até que recuaste um pouco. Sinto o teu medo de amares demasiado, de sentires demasiado, de cresceres demasiado!
Sinto-te apesar da tua ausência e sei que me sentes também.
Uma gota teima em molhar o canto do meu olho e dele cair em forma da lágrima que eu não quero chorar.
Quero sentir que tudo tem um sentido, uma lógica, uma razão. Achar um final feliz numa história que não vem nos livros!
Eu sei como começamos... neste momento cabe-te a ti escreveres o final de mais um capitulo!
Responde-me sinceramente... no teu final, naquele que estás a ganhar coragem para escrever... Vives feliz para sempre?

Gritos inaudiveis

Adormeço no silêncio da noite e acordo com o silêncio entre os ruidos da manhã!
Incomoda-me este silêncio.
Sinto falta daquela mão que me afaga o cabelo e, num diálogo constituido quase exclusivamente de silêncio, me conforta e me diz que tudo está bem.
Sinto saudades do silêncio que me transporta para os mais belos lugares que algum dia poderei ver! Agora? Agora o silêncio faz apenas com que eu sinta ainda mais que não estou a sair do mesmo lugar!
E, o silêncio que outrora me apelava a falar no intuito de o quebrar, agora simplesmente me deixa sem palavras, em silêncio, conformado com a sua existência apesar de não o entender.
Hoje, e apesar de todos os sons que me rodearem, de todas as pessoas que se dirigirem a mim, de todo o mundo que viva à minha volta, sinto que vai reinar o silêncio, que ele me vai encontrar apesar de eu não o procurar.
Espero estar errado e que este silêncio incomodativo seja quebrado de forma a criar outros silêncios mais aconchegantes e convidativos!
Profiro estas palavras em silêncio com esperança que em silêncio as ouças e que tudo o resto não seja... Silêncio!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Saudade

"Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego-português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".

Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil colônia esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações. Provém do latim "solitáte", solidão.

Saudade é uma espécie de lembrança nostálgica, lembrança carinhosa de um bem especial que está ausente, acompanhado de um desejo de revê-lo ou possuí-lo. Uma única palavra para designar todas as mudanças desse sentimento é quase exclusividade do vocabulário da língua portuguesa em relação às línguas românicas(...)"

in Wikipédia


É por estas e por outras que eu só poderia ter nascido português...
...Tenho saudades!

Quero pintar o mundo

Quero pintar pássaros em todas as arvores, flores em todos os campos, mel em todos os lábios!
Quero beijar o mundo num momento de doce ternura e sentir a sua energia dentro de mim.
Por vezes sentimo-nos sós apesar de rodeados por uma multidão. Ontem senti-me assim! Senti que tinha dezenas de pessoas à minha volta e que, ainda assim, estava sózinho.
Espero hoje encontrar companhia, sentir-me apoiado, arranjar tintas para os meus pinceis e pintar.
Mas de que me serve pintar um pássaro numa tela e pô-la no ramo de uma árvore se não vai passar disso mesmo, uma tela numa árvore? Não vai cantar, não vai voar, não vai ser!
Preciso de alguém que lhe dê vida e complete a minha obra!
Eu hoje vou pintar o mundo... E tu? Tens alguma coisa combinada para hoje?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Thursday, Am I Loved?

E após quase dois meses constituídos, exclusivamente, por sextas-feiras, eis que... Hoje é quinta!

Porque teima a vida em passar-me rasteiras?
Às vezes pergunto-me se vale a pena!? Fazemos pelas coisas, tentamos atribuir e, acima de tudo, demonstrar importâncias para no final sentirmos que qualquer grão de areia nos nubla a vista e nos altera a realidade que vemos.
Passam os dias decompostos em segundos de felicidade para num momento de atitudes tristes deitarmos tudo a perder.
Às vezes sinto-me desvalorizado.
Sinto que parte do que faço, a parte boa, é completamente apagada ou esquecida a cada atitude errada. Porquê não consigo também eu ser assim? (Preferia que ninguém fosse!)
Gostava de passar a meta dos dois anos, dos três, dos DEZ... gostava que tudo isto fosse eterno enquanto durasse e, se possivel, que durasse eternamente!
Peço bom senso, amor e afecto nestas linhas mudas que escrevo. Solto-as. Espero que tomem o melhor rumo e que, ainda que não cheguem ao seu destino, sirvam para me ajudar.
I'm in love... hoje, amanhã e a cada lufada de ar que chega aos meus pulmões. Mas... Am I loved?
Acredito que sim, mas ainda assim pergunto-te... Porque não podemos viver apenas sextas feiras? Aí eu saberia, com toda certeza, a resposta à minha questão!
Hoje é quinta feira... Espero que haja uma sexta feira na tua semana e, à impossibilidade de ser hoje, que seja já amanhã!
Quanto a mim, hoje...
...It's Friday... I'm in love!